dinheirosDízimos e Ofertas

Sem nenhuma dúvida, dízimos e ofertas, hoje, são um dos principais temas abordados no cristianismo. Sabemos que existem até denominações onde esse tema é a principal coluna.

Na verdade, o dízimo e as ofertas, às vezes, são fatores usados de forma manipuladora pela instituição religiosa. Não nos cabe julgar se os líderes cristãos têm revelação e entendimento sobre o tema, mas podemos afirmar que muitos cristãos leigos vivem aprisionados pela cobrança do dízimo e pela extorsão de ofertas.

Vamos caminhar pelos textos bíblicos e comentar sobre eles.

No Antigo Testamento era explícito que a aplicação, ou a finalidade, dos dízimos e das ofertas eram distintas.

“Quando acabares de separar todos os dízimos dos produtos do terceiro ano, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e a viúva , para que comam nas tuas cidades, e se fartem.”
(Dt 26:12)

Com o versículo, temos clareza para saber como aplicar os recursos provenientes de dízimos. Estes são de aplicação exclusiva às pessoas, para que se fartem. Deus esperava que cada israelita contribuísse com 10% dos seus recursos para o sustento de outras pessoas. Notamos que os dízimos eram separados de colheita em colheita. Hoje em dia, a ‘colheita’ pode ser mensal, quinzenal, diária, dependendo da atividade de cada um.

Depois vemos Deus se sentindo roubado pelo povo, quando este não lhe traziam os dízimos e ofertas. Roubado, porque não havia mantimento na sua casa para que os que viviam do ofício sacerdotal pudessem ser supridos em suas necessidades.

“Trazei todos os dízimos a Casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa…” (Ml 3:10)

Os dízimos, nesse texto, estão totalmente ligados ao mantimento à comida, às necessidades básicas de pessoas. Essa foi uma exortação, pois a orientação já havia sido dada e está no versículo abaixo:

“Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao Senhor em oferta alçada, dei-os por herança aos levitas, pois Eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão”. (Nm 18:24)

Aqui nós podemos entender que, por meio dos dízimos, os levitas eram sustentados. Levitas não existem mais, então, aplicando para os dias de hoje, correspondem àqueles que vivem em tempo integral no ministério. Além de serem sustentados, eles eram distribuidores para os outros que viviam dos dízimos, órfãos, viúvas e estrangeiros.

Assim funcionava o dízimo no Antigo Testamento. Agora vamos ver como funcionavam as ofertas.

As ofertas eram aperiódicas e sempre levantadas para fins determinados. Sempre que havia uma necessidade física, estrutural, e de comum uso, o líder conclamava o povo a ofertar ao Senhor. Em algumas oportunidades, era tanta a generosidade do povo, que era necessário pedir para que parassem de ofertar.

Podemos concluir, então, que as ofertas eram destinadas para as questões estruturais do povo de Israel.

Exemplos:

* Quando Deus pediu para Moisés construir o Tabernáculo no deserto, ele levantou ofertas.

“…Esta é a palavra que o Senhor ordenou: Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor…” (Êxodo 35:4-9)

* Quando Deus pediu para Davi construir o Templo de Jerusalém, as ofertas foram espontâneas.

“…O povo se alegrou com tudo o que se fez voluntariamente, porque de coração integro deram eles liberalmente ao Senhor…”
(I Crônicas 29:2-9)

*Quando o povo voltou da Babilônia e foi reconstruir o Templo.

Neemias 7:70-73 / Esdras 7:27-30

Fica claro, aqui, afirmarmos que a aplicação para dízimos é distinta da aplicação das ofertas. Todo israelita tinha a consciência de que do fruto dos seus dízimos havia de ser supridas as necessidades dos levitas, dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros. Quando isso não acontecia, Deus os repreendia como aconteceu em Malaquias 3. Todo israelita também sabia que as ofertas poderiam ser levantadas de tempos em tempos, dependendo de como as necessidades fossem surgindo.

O Parâmetro da Nova Aliança

Nós sabemos que a nova aliança proposta por Jesus é superior à antiga, tanto em benefícios quanto em responsabilidades também.

Nós vemos que Jesus não trata mais de 10%. Essa lição já era para ter sido aprendida e a superada. Quando Jesus trata de dinheiro, ele trata, agora, de 100%, como no encontro d’Ele com o jovem rico (Mateus 19:16-22). A Igreja formada em Jerusalém, no início do livro de Atos (At 2:45), também via em suas finanças um desafio de 100%, e não simplesmente os 10% da antiga aliança.

Com isso, não estamos ensinando que você deve dar 100% do recurso que vem às suas mãos. Por outro lado, estamos afirmando que não é simplesmente dando religiosamente 10% dos seus recursos que você já estará sem obrigações com Deus.

Jesus quer 100%. Isso quer dizer que todo o recurso que está em nossas mãos é d’Ele. Isso é para pensarmos bem antes de gastarmos o recurso que Deus nos concede. Isso nos diz que 10% é o mínimo que devemos contribuir, porém não devemos contribuir religiosamente, sem antes perguntar a Deus quanto Ele quer que invistamos em seu Reino. Pode ser 10%, pode ser 20%… pode ser 50%… ou até 100%. Isso tudo depende de ouvirmos, vez após vez, o quanto Deus está pedindo.

Isso, aparentemente, já era um assunto resolvido entre a Igreja do 1º século e os apóstolos, tanto é que não existe ensino no Novo Testamento sobre esse assunto.

Os textos do Novo Testamento que ensinam sobre finanças são sempre exortando e incentivando os irmãos a contribuírem com generosidade, de acordo com o que houver proposto em cada coração (II Co 9:6-9). Isso nos fala de que cada santo deve ouvir o Espírito Santo a respeito de quanto deve contribuir, partindo do ponto de que fomos treinados e aprovados nos 10% e de que Jesus nos pede 100%.

Paulo ensina aos irmãos de Corinto, em I Co 16:2, para semanalmente separarem as ofertas para os irmãos pobres da Judéia. Devemos ter esse coração de misericórdia, parecendo-nos com Jesus até nas finanças: “…Jesus rico se fez pobre, para que todos pudessem ser ricos…” II Co 8:9.

Podemos ver que a Igreja também institui pessoas cheias do Espírito para lidar com a atividade de receber as doações de dízimos e ofertas e administrar a sua distribuição:

-Colocando aos pés dos apóstolos: Atos 4:37;

-Homens para distribuir: Atos 6:1-7.

Conclusão

Então irmãos, as coisas práticas que tiramos dessa meditação sobre dízimos e ofertas:

-Dízimos são para ser empregados em pessoas, sendo elas: ministros em tempo integral, orfãos, viúvas e estrangeiros;

-Ofertas são para cobrir despesas estruturais como: aluguel, água, energia, etc. Isso quando elas são necessárias;

-Quanto mais formos generosos, mais pessoas podem se dedicar em tempo integral, mais orfanatos podem ser abençoados, viúvas amparadas, estrangeiros auxiliados;

-Quanto menos despesas físicas tivermos, mais poderemos investir em pessoas;

-Deus se importa muito com as suas finanças, pois Ele conta contigo para fazer com que a vontade Dele aconteça na terra;

-Não se trata de dar os 10% religiosamente. Trata-se de ouvirmos o Espírito Santo e obedecermos.

Victor Vieira
web: www.victorvieira.wordpress.com

Anúncios