batismoSão tantos os questionamentos e dúvidas quanto ao batismo. Uns dizem é que apenas um simbolismo, sem poder espiritual nenhum, outros afirmam ser uma forma de consagração.

Afinal, o que realmente é o Batismo? Qual a sua finalidade maior? Por que havia uma urgência nos apóstolos e líderes da igreja primitiva em batizar o novo convertido logo após a sua conversão, no momento de seu arrependimento?

Nota: Este texto é consequência de uma experiência pessoal e não tem o propósito de estabelecer doutrina nem de fazer teologia em cima do assunto “batismo”. Também não afirmo que haja poder salvífico na prática do mesmo.

Jesus ensinou seus discípulos a batizarem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” Mateus 28:19

Eu, particularmente, cresci aprendendo que o Batismo é apenas um simbolismo. Algo importante sim, pois também significa consagração. Eu nasci em uma igreja histórica e fui batizado aos 6 meses de idade.

Mas, de onde vem então o Batizar as crianças. Creio que é algo herdado da Igreja Católica. O desejo que nossas crianças não fossem pagãs. Veja bem, não há nada de errado em consagrar nossos filhos ao Senhor, PELO CONTRÁRIO, devemos fazer isso. Os pais são a maior autoridade espiritual sobre os filhos, segundo a palavra. Maiores que pastores e nossos líderes! Eles tem a autoridade de consagrar seus filhos ao Senhor, assim como fez Ana, mãe de Samuel, antes mesmo de conceber, pois ainda era estéril. Pela fé, ela já consagrou seu filho Samuel ao Senhor, e sabemos como foi a vida desse profeta do Senhor.

Houve um dia em que o Espírito Santo falou comigo sobre o batismo de forma muito séria. Ele disse: “Aquilo que eu tenho para fazer na sua vida começará após o seu batismo.” Confesso que fiquei confuso e chocado, afinal, nasci e fui batizado 6 meses depois. Eu disse ao Senhor: “Mas Pai, eu já sou batizado!” E ali o Espírito Santo começou a me mostrar na Bíblia o significado do Batismo na sua essência, o propósito pelo qual Ele queria que fosse realizado esse ato. Mais que um simbolismo, o Batismo, assim como a Ceia, é uma ordenança de Jesus e também um ato profético.

Vamos entender alguns princípios. Leiamos Atos 2:38:

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;”

Se você prestar atenção, aqui encontramos um princípio que vem apontar o erro de batizarmos crianças. Nesse versículo, aprendemos que há uma condição para o batismo: o arrependimento, afinal, o batismo simboliza exatamente o arrependimento dos pecados, morte para o mundo e uma vida nova com e para Deus, como veremos mais abaixo nesse mesmo artigo.

Em outras palavras, como eu posso ter sido batizado como criança tão pequena sem ter passado por um processo de arrependimento. Afinal a palavra nos diz: “Porque TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” (Rm 3:23)

Se TODOS pecamos, TODOS precisamos nos arrepender, portanto, TODOS precisamos passar por esse processo a fim de sermos batizados.

Mas, por que o Batismo é tão importante?

Olha só o que Paulo nos ensina quanto ao Batismo no livro de Romanos, capítulo 6.

“1 Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
2 De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?
3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?
4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição;
6 Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.
7 Porque aquele que está morto está justificado do pecado.
8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;
9 Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele.
10 Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.
11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;
13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
15 Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.
16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?
17 Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.
18 E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
19 Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação.
20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.
21 E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte.
22 Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.
23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. “

O verso quatro diz que fomos batizados na morte de Cristo, ou seja, quando descemos às águas, descemos na semelhança de um sepultamento. É como se estivéssemos mortos e sendo enterrados, assim como Jesus morreu e foi enterrado.

Dentro disso algumas coisas mudam em nosso ser, pois existem alguns princípios quanto ao pecado que são esclarecidos também nesse capítulo. No Final do capítulo, Paulo diz que “o salário do pecado é a morte”, e no verso 7 ele diz: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” Portanto, se a conseqüência do pecado é a morte, quando somos batizados na semelhança da morte de Cristo, somos, então, justificados do pecado, pois a sua conseqüência foi cumprida: MORREMOS.

“4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. “

Então, se quando descemos às águas, descemos semelhantemente ao sepultamento de Cristo, quando saímos das águas, saímos na semelhança da sua ressurreição. Por isso Paulo diz: “ assim andemos nós também em novidade de vida”.

“9 Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele.
10 Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.
11 Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;

Descobrimos, então, que o Batismo é mais que um simbolismo, é mais que uma consagração, é mais que uma profissão pública de fé. O Batismo, quando feito com entendimento e fé, é LIBERTAÇÃO!

Quando cremos e vivemos o batismo na sua essência, enquanto passamos por um processo de arrependimento, entramos num novo caminho em liberdade de vida! Não temos mais o pecado reinando em nosso corpo, pois mortos em Cristo, estamos justificados e libertos de todos os pecados, e ressurretos com Jesus, vivemos em novidade de vida.

No entanto, Paulo no deixa um ensinamento e uma exortação:

“12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;
13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.
18 E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. ”

Antes, como o pecado reinava em nós, obedecíamos as suas vontades, entregávamos nossos membros, o nosso corpo para cumprir os desejos do pecado, nossos membros eram instrumentos de iniqüidade. Agora, libertados do pecado, devemos consagrar o nosso corpo, os nossos membros a Deus como instrumentos de Justiça.

Precisamos entender que a escolha de pecar não nos foi retirada.

“16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?”

Somos servos de quem ESCOLHEMOS pelos nossos atos. Libertados pelo Batismo podemos ainda sermos feitos servos novamente do pecado se escolhermos serví-lo, pecando. Portanto, não ficamos livres para pecar, mas livres para viver longe do pecado. A diferença é que antes não tínhamos escolha, simplesmente pecávamos. Agora, o pecado NÃO pode mais reinar sobre mim, a não ser que eu queira.

Fica, então, claro o por quê que havia tanta urgência por parte dos apóstolos e líderes da igreja primitiva em batizar os novos convertidos logo após as suas conversões.

No Capítulo 8 do livro dos Atos dos Apóstolos, a partir do verso 26, vemos a história do encontro entre Filipe e o eunuco Etíope.

A palavra descreve que o eunuco estava em seu carro lendo o profeta Isaías e Filipe o abordou perguntando: “Entendes o que lês?” E ele respondeu: “Como poderei entender se alguém me não ensinar?”

Leiamos o final da história:

“35 Então Filipe, abrindo a sua boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.
36 E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?
37 E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
38 E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.”

Filipe anunciou Jesus, obviamente falou sobre a importância do Batismo, se não, como o Eunuco saberia sobre isso, sendo que foi o Eunuco e não Filipe, que olhou para as águas diante dele e perguntou se ele poderia ser batizado?

Ali mesmo, o homem conheceu a Jesus, entregou sua a vida ele e foi batizado.

No Capítulo 19 de Atos, dos versos 1 à 5, Paulo expõe o batismo de Jesus e todos que ouviram foram ali batizados. Não vemos, em momento algum, os apóstolos, os líderes da igreja primitiva submetendo os novos convertidos a cursos de 1 ou 2 meses de preparação para o Batismo. Vemos sim, a exposição da palavra, o ensinamento sobre o mesmo, com certeza eles ensinavam sobre sua importância e todos eram levados ao batismo na mesma hora que eram ensinados.

Não critico a importância do ensino, pelo contrário, incentivo o ensino, mas será que a delonga em nossos ensinos quanto ao batismo não reflete na verdade uma falha em nosso entendimento quanto ao mesmo?

Queremos que a pessoa entenda tudo sobre vida cristã e o batismo antes que ela tome o passo de se batizar. E muitas vezes queremos que essa pessoa mude sua vida antes de se tornar digna de se batizar. Sendo que o batismo pode ser o marco de mudança da vida dela. Pode sim ser um separador de águas. Não são poucos os testemunhos de vidas que mudaram, pessoas que foram libertas pelo batismo. Eu sou uma delas!

Talvez você pense. Poxa, eu já fui batizado, mas não sabia disso. Apenas entenda e tome posse daquilo que a palavra nos ensina. No meu caso, o Espírito Santo me impeliu a me batizar novamente, pois por falta de arrependimento, meu primeiro batismo fora anulado, pois não cumprira com a única condição para que ele acontecesse.

Ouça o Espírito Santo e corresponda com ele. Se você foi batizado na mesma condição em que eu fui, aconselho a você analisar com cuidado e muito temor se você não teria que se batizar novamente. Se esse for seu caso, leia Atos 19:1-5.

Ou talvez você tenha se convertido, entregue sua vida a Jesus e ainda vive com problemas com pecados que não consegue deixar. Posso te afirmar que, assim como foi comigo e é na palavra, o batismo é libertação, se feito com arrependimento, consciência e fé.

Se você já foi batizado, entenda o seu batismo e tome posse daquilo que você herdou com esse batismo, a sua liberdade, sua libertação. Se você ainda não foi batizado, mas entregou sua vida a Jesus e se arrependeu de seus pecados, então cumpra o que Cristo nos ensinou…busque ser batizada e viva na totalidade da liberdade que Cristo nos dá.

Jander Pires

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