“Qual culto você vai assistir hoje?”
“Hoje o culto não foi tão bom, não gostei da mensagem do pastor.”
“Por que o dirigente de adoração tem que ficar repetindo santo, santo, santo tantas vezes? Canta uma vez só e vai pra outra música!”

Você já ouviu essas frases? Ou algo parecido?

Essas são algumas das muitas frases que eu e você estamos acostumados a ouvir toda semana nas igrejas, não é verdade? Se não toda semana, posso certamente dizer que essa não é a primeira vez que você “ouve” essas frases.

Essas, e outras frases, revelam uma falta de identidade do cristão nas igrejas e também a perda do verdadeiro objetivo do culto: CULTUAR!

A falta de identidade, isto é, quando o cristão não sabe quem ele é, gera uma insatisfação em relação ao culto quando este culto não segue os desejos desse ou daquele irmão. Passamos a criticar o pastor, criticar o líder de adoração, criticar a todos aqueles que são “responsáveis” pelo culto. Usamos até o termo “assistir ao culto”. Assistir é um verbo utilizado para novelas, filmes e jogos de futebol, não interagimos diretamente, por mais que alguns tratem algumas dessas atividades como um verdadeiro culto. Infelizmente, isso tem acontecido com uma alta freqüência na igreja brasileira, mas eu creio que isso vai mudar!

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O Culto

Precisamos entender um pouco mais sobre o culto.

Cabe aqui perguntar: para quem é o culto? Se for para você, eu te digo, você tem toda a razão de reclamar cada vez que o culto não estiver do seu agrado, afinal, ele é para você! Por outro lado, se a resposta é: Para o Senhor. Então, com todo respeito meu irmão, não cabe a você gostar ou desgostar de um culto, se o mesmo estiver sendo agradável ao Senhor, se ele estiver sendo aceito por Jesus. Pois eu te digo, o culto é para Ele e precisamos ter a sensibilidade de entender o que Ele quer e como Ele quer.

Para isso, há uma necessidade de buscarmos entender o princípio do culto. Por muitos anos eu aprendi que o culto girava em torno da palavra. Começávamos o período de louvor e adoração com canções de comunhão, “para quebrar o gelo”, depois para as canções mais agitadas, canções de júbilo, e depois entrávamos para as canções de “adoração”, mais calmas, para preparar a igreja para a palavra.

Primeiro, se as últimas canções são as canções de adoração, o que são as outras canções cantadas anteriormente? Se não são adoração, então para que as cantamos?

Segundo, a palavra de Deus não é Deus! Ela é um instrumento que Deus deixou sobre a terra para instruir os homens a segui-lo. Seu conteúdo é precioso e devemos apreciá-la e estudá-la minunciosamente, sempre buscando no Espírito Santo a sua revelação. Mas, como eu disse, ela não é Deus! Nós não vamos ao culto cultuar a palavra, mas a Deus! O Pai quer ter comunhão com seus filhos. Ele quer receber a adoração de seus filhos. O culto é o encontro entre o Pai e seus filhos.

O culto também é o encontro entre o Noivo Jesus e a sua Noiva, a Igreja. Jesus quer ser adorado pela sua amada noiva!

Isso significa que o culto gira em torno da pessoa de Cristo, e não da palavra. Sendo assim, devemos estar sensíveis a Sua voz para entendermos o que Ele quer receber. Se for adoração, daremos adoração. Se Ele não quer palavra hoje, não pregaremos a palavra hoje. Isso é difícil de entender? Talvez porque até hoje, mesmo que sem perceber, você estava indo ao culto com a intensão maior de receber uma palavra de Deus, vinda da palavra, e não cumprir o com propósito do culto: CULTUAR, ou seja, adorar a Deus!

Essa é uma palavra dura, mas creio que o Espírito Santo muda nossos corações, o constrangimento de uma palavra de exortação vinda do Senhor, quando encontra lugar nos corações, ela gera mudanças.

Ok, entendemos então o propósito do culto. Mas e quanto a segunda parte da explicação? É o que veremos a seguir.

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O Crente

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.”
I Pe 2:4

“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.”
Apocalipse 1:6

Nós fomos feitos Sacerdotes. E, muitas vezes, por não sabermos que somos sacerdotes, culpamos o pastor e outros líderes pelo aparente “mal funcionamento” do culto. Mas o fato é que se entendermos que somos sacerdotes, também entenderemos que nós, como sacerdotes, somos tão responsáveis por atrair a presença de Deus a nossa reunião quanto o pastor e os outros líderes.

Então, todos que são nascidos de novo em Jesus são sacerdotes. Esse é um ponto crucial na vida de um Cristão, pois quando um cristão não se vê como um sacerdote, ele não cumpre a sua função de sacerdote, portanto o efeito dele ser sacerdote é absolutamente NULO.

É como um médico dentro de um pronto-socorro tomando cafezinho e olhando as pessoas morrendo e não fazendo absolutamente nada. Enfim, não cumprindo seu papel de médico.

Ele é um médico?

Mas ele está cumprindo seu papel de médico?

Você consegue entender o quanto essa consciência, ou falta dela, de quem somos influencia não só nos cultos, mas também no nosso dia-a-dia?

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O Sacerdote

Então sabemos que somos sacerdotes. Mas, e aí? O que o sacerdote faz?

Para entendermos isso, precisamos ver o que o sacerdote fazia quando Deus o instituiu em Israel.

Deus escolheu o sacerdote para servi-lo no tabernáculo de Moisés, e depois no templo, no sistema de sacrifícios. Dentro disso, o sacerdote tinha duas funções: intercerder pelo pecado do povo e adorar ao Senhor.

Uma criança, nascida da tribo de Levi, sabia que não tinha outro destino ao crescer, a não ser, ser sacerdote. Da mesma forma, uma pessoa nascida de novo em Cristo, não tem outro destino, a não ser, ser sacerdote.

Naquela época, os homens vinham ao sacerdote, confessavam seus pecados, o sacerdote tomava sobre si os pecados do homem, o animal era sacrificado, e intercedia pelos pecados confessados.

Então a primeira função do sacerdote é INTERCEDER!

A segunda é ADORAR!

O sacerdote intercedia pelo pecado do povo e adorava ao Senhor. Hoje isso não mudou, como sacerdotes essas são as nossas funções. Somos sacerdotes, então somos intercessores e adoradores.

Agora, a intercessão é difícil. Sabe por quê? Porque o homem não foi feito para interceder. A intercessão só existe por causa do pecado. A base da intercessão é o pedido de perdão. Precisamos de uma capacitação do Espírito Santo para sabermos como interceder. E Ele nos dá quando pedimos, quando buscamos cumprir o nosso sacerdócio.

Meu irmão, entenda! A palavra que sai da sua boca como sacerdote É OUVIDA POR DEUS! Pois a sua palavra tem a autoridade de Jesus Cristo aqui na terra!

Por outro lado, adorar é fácil. Fomos criados para adorar! Fomos criados para ter comunhão com o Senhor. Por isso, depois de um momento gostoso de adoração sentimos uma sensação de satisfação, pois cumprimos o objetivo pelo qual fomos criados.

Mas o que mais podemos fazer como sacerdotes? Pela morte e ressurreição de Cristo, nós recebemos uma autoridade maior do que os sacerdotes da antiga aliança tinham.

Jesus nos deu autoridade para curar o enfermo, libertar o cativo e ressuscitar os mortos. Não só nos deu autoridade, mas também nos deu uma ordem.

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.”
Mateus 10:8

Você consegue imaginar o que pode acontecer na sua família quando você, entendendo o seu papel de sacerdote-intercessor-adorador, começar a clamar pelo Reino de Deus sobre a sua família, sobre sua escola, sobre seu trabalho, sobre seu bairro, sobre sua cidade, sobre o Brasil? Imagine, um médico entendendo que ele não é mais um simples médico, mas um sacerdote-médico! UM policial, um sacerdote-policial! Sabendo que exercendo o seu sacerdócio, intercedem pelo pecados da cidade, dos cidadãos em suas áreas de trabalho e atraem sim o Reino de Deus sobre esses locais.

Dá para imaginar o que pode acontecer quando o crente finalmente descobre quem ele é?

Jander Pires

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